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terça-feira, 27 de novembro de 2012

Amada

Em noite fria e bela
aqui estou, à pálida luz de velas.
Venha, minha digníssima donzela,
 a eternidade nos espera.

Meu coração bate acelerado
vendo-a vir  para meus braços.
Ao sentir sua delicada mão na minha,
meu peito exulta em sincera alegria.

Juntos, a caminhar por um jardim florido,
Sussurro docemente em teu ouvido:
''És tu a mais bela de todas estas flores,
a única no mundo por quem morro de amores.''

Seu rosto se iguala ao dos anjos.
Vendo-te adormecida em nosso leito,
para ti componho os mais  amorosos cantos.

Nossas almas para sempre estarão unidas.
Não há nada, nesta ou noutra vida,
que poderá tirar este amor de meu peito.
                                          

  Itamar Felipe




sábado, 17 de novembro de 2012

O Homem que Virou Estrela



      A noite cai sobre a Terra, cobrindo o céu com seu infinito tapete de estrelas. A Lua, em toda sua beleza e formosura, assenta-se mais uma vez em seu trono, alumiando mundo tão cruel e profano.
     Olhando distraidamente a Terra, a Digníssima Senhora da Noite avista um jovem mortal, este a contemplar seu tapete estelar com olhar soturno e distante.
'' Por que este jovem olha tão tristemente meu reino?'', pensou a senhora Lua, '' Estarão minhas estrelas com algum defeito?''
        Apreensiva e curiosa, o Astro Noturno resolve interpelar o jovem.
- O que está havendo, jovem mortal?- disse ela, com voz suave e arrastada- Há algo errado com meu reino? Diga-me.
- Ó Digníssima Senhora- iniciou ele, com voz tristonha- nada de errado há com teus domínios. Estão perfeitos, como sempre que não há nuvens, dignos dos mais belos versos.
-Então por que o olhas tão tristemente, jovem mortal? Conte-me, eu lhe peço.
-Poderás entender, minha senhora, minhas dores e angústias? És uma deusa. Saberás algo sobre o sofrimento que aflige os vermes?
-Sei o bastante, jovem mortal.- disse o astro, cristalizando um pouco a voz- Desde que o mundo é mundo, aqui estou eu a governar- continuou, orgulhosa de si.
- Perdoe-me a indelicadeza minha senhora, não tive intenção de ofendê-la.
- Bem o sei, jovem mortal.- disse-lhe a Lua, amavelmente- Vejo que és um bom rapaz, diga-me o que lhe aflige e ajudar-te-ei.
- Digníssima Imperatriz da Noite- começou o jovem, em tom torturado- meu coração bate pela mais bela das donzelas, a mais doce entre as flores e das árvores a mais frondosa.
- Mas por que te entristeces, jovem mortal - falou a senhora, em tom confuso- Não deverias estar feliz, cortejando tua donzela? Mandando-lhe flores e lhe escrevendo poemas de amor?
-Tudo isso fiz, minha senhora. - disse o jovem, baixando os olhos - Porém ela não me ama.
 
 Voltou seus olhos castanhos, cheios de lágrimas, para a Lua.
-  Posso apenas imaginar -disse ele, com voz sonhadora- o suave toque de seus dedos, o doce roçar de seu corpo no meu ..... seus enervantes e divinos beijos.
        Olhou melancolicamente para a Imperatriz da Noite, seus olhos novamente entristecidos.
- Porém, quando olho teu tapete de estrelas, minha senhora,sinto inveja. Todas as noites ele recebe de minha amada olhares de sedução e suspiros de paixão.
- Sofres de amor, jovem mortal -disse-lhe a Lua, com voz fraca e chorosa- Sofres não por estares amando, mas por não ter sido correspondido. Esta tem sido a perdição de inúmeros mortais, não és o primeiro e nem serás o último a sentir essa dor que dilacera o mais profundo da alma e destroça coração.
- Sim, minha senhora. Meu coração partido bombeia estilhaços de vidro em minhas veias, inundando-me de dor e agonia. Por isso meu olhar triste para teu céu, tão formoso e celeste.
- Não posso mudar o coração de tua amada -novamente a Lua, porém em tom mais firme - Este poder ninguém o tem.
- Bem o sei, divina senhora -falou o jovem, agora contemplando as estrelas.
- Porém posso transformar-te na mais bela estrela. -disse a Lua, sorridente- De meu tapete estelar, a mais brilhante. Poderás então embebedar-se com os suspiros e os olhares de tua amada.
- Farias isso por mim, minha senhora -disse o rapaz, com um sorriso meigo crispando-se nos lábios
         A Lua assentiu e deu-lhe um tímido sorriso.
          Assim termina a história do homem que virou estrela. Todas as noites, da sacada de sua janela, era contemplado em todo seu esplendor por sua donzela, que tecia-lhe os mais apaixonados versos.
                     
                                                                  Itamar Felipe


Prece à Deusa

Pensamentos soturnos tenho eu ...
Qual o som de tristonha canção,
transpassam o escudo d´alma
e fazem sangrar meu coração

Refugiado em meu interior,
tão sombrio e dilacerado
ouço o pesar de meu espírito,
tão sozinho e atormentado.

Como livrar-me desse tormento,
ó Morte, amiga dos sofredores?!
Sanadora das almas doentes,
vem livrar-me desses horrores!

''Ó pobre e macambúzio mortal,
 cobrir-te-ei com meu manto;
 envolver-te-ei em casulo de silêncio
 onde finalmente encontrarás descanso.''

Sinto doce brisa e leve torpor,
um vazio que me traga ....
é o sono da Morte que chegou,
qual uma donzela que me afaga.
Itamar Felipe

domingo, 4 de novembro de 2012

O Findar da Vida

Com o cair torrencial da chuva
estrondosas trovoadas abafam teus  passos.
Teu cheiro pútrido escapou da urna,
cheiro fétido de cadáver exumado.

Sinto o frio se apoderar de mim,
o medo pulsar em minhas veias.
Ao longe ouço o som te Teu clarim ...
som fúnebre que tanto me devaneia.

Com a chegada da aurora
com o findar da madrugada...
Sinto lentamente chegar minha hora.

Minh´alma, outrora tão perturbada,
finalmente encontrou seu descanso ...
entoou seu último pranto.
Itamar Felipe

sexta-feira, 2 de novembro de 2012

Saudade da Infância

Sinto falta de ser criança,
brincar com os amigos na rua:
futebol, queimado, rouba-bandeira;
ver o mundo com  um olhar de esperança.

De não  me preocupar com o futuro
e de  chamar minha mãe
quando me assustava o escuro.

Ah, como era bom aquele tempo,
o mundo me parecia tão mágico
e tão sincero e puro, o afago.

E então venho a adolescência
com suas lições cruéis e duras,
arrancando-me do paraíso com violência
vertendo meu doce coração em amargura.
 
 Apresentou-me ao primeiro amor
Fez-me me apaixonar loucamente,
e depois me mostrou seu dissabor.

Que saudade tenho de minha infância
onde meu  sorriso era verdadeiro
e não existia essa pungente ânsia ....
Hoje só queria voltar a ser criança.

Itamar Felipe










quinta-feira, 1 de novembro de 2012

Dom Casmir e Lady Elena

Dom Casmir
Oh, Lady Elena,
Por que se entristece?
Por que parece uma
árvore no outono?
Ele nunca a amou;
o nosso beijo não foi doce,
como o mel das abelhas?
Nossos lábios falaram primeiro
do que palavras delicadas.
Como eu queria dizer
que minhas lágrimas de sangue
são o símbolo de tua ausência.

Lady Elena
Oh, Dom Casmir,
por que choras?
Por que estás tão pálido
quanto o frio da madrugada?
Sorria para mim,
não me vires tua face.
O que são essas lágrimas de sangue
que de teus olhos escorrem
como uma chuva de verão?
Nosso beijo falou no lugar
de delicadas palavras.
Oh, Dom Casmir,
como lhe dizer
sem perfurar teu coração,
que não lhe amo?

Ambos
Onde estás, amor?
Onde está aquela luz
que me abrangia
como um sol de verão?
Onde estás, paixão,
que invés de paz e luz
levou-me à escuridão e dor,
chamada Amizade?

by Lucas Pinheiro( L.P Santos)