A noite cai sobre a Terra, cobrindo o céu com seu infinito tapete de estrelas. A Lua, em toda sua beleza e formosura, assenta-se mais uma vez em seu trono, alumiando mundo tão cruel e profano.
Olhando distraidamente a Terra, a Digníssima Senhora da Noite avista um jovem mortal, este a contemplar seu tapete estelar com olhar soturno e distante.
'' Por que este jovem olha tão tristemente meu reino?'', pensou a senhora Lua, '' Estarão minhas estrelas com algum defeito?''
Apreensiva e curiosa, o Astro Noturno resolve interpelar o jovem.
- O que está havendo, jovem mortal?- disse ela, com voz suave e arrastada- Há algo errado com meu reino? Diga-me.
- Ó Digníssima Senhora- iniciou ele, com voz tristonha- nada de errado há com teus domínios. Estão perfeitos, como sempre que não há nuvens, dignos dos mais belos versos.
-Então por que o olhas tão tristemente, jovem mortal? Conte-me, eu lhe peço.
-Poderás entender, minha senhora, minhas dores e angústias? És uma deusa. Saberás algo sobre o sofrimento que aflige os vermes?
-Sei o bastante, jovem mortal.- disse o astro, cristalizando um pouco a voz- Desde que o mundo é mundo, aqui estou eu a governar- continuou, orgulhosa de si.
- Perdoe-me a indelicadeza minha senhora, não tive intenção de ofendê-la.
- Bem o sei, jovem mortal.- disse-lhe a Lua, amavelmente- Vejo que és um bom rapaz, diga-me o que lhe aflige e ajudar-te-ei.
- Digníssima Imperatriz da Noite- começou o jovem, em tom torturado- meu coração bate pela mais bela das donzelas, a mais doce entre as flores e das árvores a mais frondosa.
- Mas por que te entristeces, jovem mortal - falou a senhora, em tom confuso- Não deverias estar feliz, cortejando tua donzela? Mandando-lhe flores e lhe escrevendo poemas de amor?
-Tudo isso fiz, minha senhora. - disse o jovem, baixando os olhos - Porém ela não me ama.