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domingo, 14 de outubro de 2012

Amor Eterno

Ele
Quão belo me é o amor
Em tão fria e cinzenta cor;
Estou a sonhar acordado
Com teus beijos apaixonados.

Ela
Oh, meu amado,
Ando pelos cantos amuada;
A distância que nos tem separado
Faz-me chorar na sacada.

Ele
Estou pela noite a vagar, minha querida,
Tentando compreender tua ida:
Viro minhas noites em tabernas
E choro em braços de perdidas.

Ela
Oh amor meu,
Que falta me faz o beijo teu!
Embora tenhas desaparecido,
Meu coração continua iludido.

Ele
Como me dói lembrar de teus cabelos, perolados e ondulantes,
De teus olhos, tão negros e brilhantes;
De teu sorriso amarelo, que me levava a dimensões distantes
E em teu toque, tão frio e excitante.

Ela
Oh, lindo Anjo de asas negras
Sinto falta de tuas melancólicas melodias,
Dos lindos sussurros que de teus lábios entreouvia.
Retire-me deste Inferno de tristezas
E leve-me aos campos da Eterna Beleza.

Eis que com tamanho ardor,
Comoveram-se os Ventos;
Juntar novamente esse incondicional amor
Contra a vontade do tirano, seria seu intento.

O Vento
'' Oh lindos humanos, como Euridície e Orfeu,
Fostes enganados por diabólico plano de Aristeu,
Que mancomunado estava com Plutão!
Por ódio e inveja, tentaram destruir-lhes o coração.

Receberei o castigo de Prometeu
Mas mesmo que seja acorrentado ao Cáucaso
Para por trinta mil anos ter meu fígado comido,
Vossa alegria será o alívio meu.''

Ele
Ouvi direito? Vives minha amada?!
Buscar-lhe-ei no cativeiro ...
E dedicar-lhe-ei meu amor por inteiro.

Mas o que é isso que vejo,
De quem será esse lindo e imenso cortejo?
Com profundo choque e espanto,
Vejo no caixão quem amei tanto.

Deitada estás em leito de flores negras
Em belíssimo vestido de branca seda.
Ao ver em tuas faces ainda o encanto
Entoo meu último canto:

'' Ah, minha doce amada,
Pelos deuses nossa história foi desgraçada;
Mesmo que a tenham matado,
Meu coração por ti continua enamorado.

Podes me esperar, querida?
Em breve juntar-me-ei a ti com minha Lira.''

Ela
Amor meu, esperarei que se junte a mim
Pois nosso amor jamais conhecerá o fim;
Para sempre estaremos juntos, esteja certo,
Amando-nos qual duas constelações no Universo.

Itamar Felipe




sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Morte, minha libertadora

Enterrando-me em meu desespero
Afogando-me em minha tristeza,
Vejo este mundo com desprezo
Rico que é em aspereza.

Essa luz que me queima os olhos
Esse frio que me chega aos ossos,
E esta dor da qual sou cativo....
Isso é estar vivo?!

Onde está meu criador,
Em todo seu esplendor?!
Aquele que prometeu me amar
E que nunca iria me abandonar?!
Simplesmente a todos deixou.

Aí vem a Morte que me consola,
A deusa que alivia minha dor!
Caminhando em passos lentos,
Aquela que desde o ventre me amou!

Trajando suas vestes negras
E me dando  um sorriso amarelo...
Chama-me ao cemitério.

Reina agora o silêncio do eterno vazio,
Um silêncio que chega a ser sobrenatural.
O Mundo dos Mortos, frio e sombrio,
Dá-me amor eterno  e  paz divinal.

Itamar Felipe

Primavera

Os pássaros, com seu suave canto
Fazem germinar feliz a Terra
Enverdece os nossos vastos campos
A chegada da primavera.

És a estação da alegria
Que a tudo encanta com sua magia
Desde nossas verdes matas
Ao nosso agitado interior
És irradiada.

Primavera, doce primavera
Com tuas árvores floridas
E tuas flores coloridas,
Das estações és a mais bela.

A estação das chuvas
Que a nossas terras inunda
Que faz crescer nos bosques vida
Mas também aos nossos ataques revida.

Primavera, doce primavera
Com tuas árvores floridas
E tuas flores coloridas
Das estações és a mais bela.

Itamar Felipe