No poente de Apolo nas montanhas
Meio mundo nas trevas se emaranha;
Vem então o amanhecer,
Que a tudo ilumina, como Divino Ser.
Com o despontar da aurora
Essa dor que mata-me o espírito,
E me corrói qual venenoso espinho,
Deixar-me-á e irá embora?
Em meus sonhos estás presente
Como um anjo que brilha palidamente;
Teu olhar esquadrinha-me o interior
Deixando-me em abobalhado torpor.
Sigo-te em floresta densa
Onde paro perante pântano negro
Que entre nós está, como um penedo
Separando-me de tua mágica presença.
Vendo-a afastar-se pouco a pouco
Perco a razão como um louco
Vou ficando oco por dentro
Ouvindo teu canto de lamento.
Acordo zonzo e enregelado
E com um palpitar acelerado
Cantando essa triste ode
Da dor que em meu peito explode.
Chorando por ti ao alvorecer
Perco a noção de meu existir
Chorando por ti ao alvorecer
Morro de amor qual um mártir.
Itamar Felipe

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