Amada e Odiada
Mandei-lhe flores e lhe entoei poemas,
pediu-me favores e me desiludiste sem pena.
Afoguei-me no vinho e no ópio;
por sua causa, desencarnei repleto de ódio.
Encontra-se meu espírito perdido,
mesmo no Além, por ti iludido!
Nas catacumbas, erijo forte muralha,
e com minhas mãos, teço tua mortalha.
Veja nossa tumba, sórdida e sombria.
Podes na noite ouvir a eufonia,
dos anjos de pedra, triste sinfonia?
Penetrei então em teu castro:
estavas à dormir como uma santa
que esculpida foi em alabastro.
Para lhe ter eternamente, meu amor,
para que possamos partilhar minha dor
faço tua vida conhecer o fim.

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