numa noite de verão,
penso em mil e uma coisas
nesta minha solidão.
O tempo está se fechando,
já sinto o cheiro da tempestade ...
nuvens escuras se aproximando
e eu implorando por piedade.
Ouço o cair dos primeiros pingos ....
fogem-me soluços da garganta.
Ao longe, o badalar de um sino
coroa meu choro que canta!
Um relâmpago ilumina minha face ....
como está manchada pelas lágrimas!
Perco minha sanidade
ao som de uma forte trovoada.
Enlouqueço nesta escuridão,
meu sangue pulsa revoltado ....
gritos se misturam ao trovão,
gritos de um ser alucinado.
Ah, eu me banho na loucura
e me lanço em pedras pontiagudas;
Por breve tempo .... sinto alguém
a ouvir meu lamento.
Uma alma que chora por mim
agarra-me pelos braços
e puxa-me do abismo sem fim ....
Quem terá me salvado?!
Uma criança, em toda sua inocência,
acaricia-me o rosto levemente.
Não vejo em seu olhar sonolência
mas uma luz pura e envolvente.
Com assombro, vejo que sou eu mesmo ....
ele me olha com reprovação ...
fala ao fundo de meu coração:
'' Não pague tão horrível e cruel preço,
pois não há mal que perdure
ou ferida que o tempo não cure.''
Não consegui dizer palavra,
apenas pude contemplá-lo
a desaparecer na chuvarada,
imergindo-me no passado.

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