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quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013

Errante


A chuva cai forte lá fora ...
um vento gélido me impregna o coração.
No relógio, o passar lento das horas
eterniza cada minuto de minha solidão.

Em cada suspiro, um lamento silencioso ...
uma prece na vastidão do desconhecido.
Apenas o eco do vazio, triste ... cavernoso,
reverbera continuamente em meus ouvidos.

Ah, essa prisão de mim mesmo!
Correntes de loucura, cadeados insanos ...
Sinto que na demência perigosamente cresço,
embriagado com meu próprio pranto!

Um ... dois ... três, soam os sinos em Notre-Dame ...
é chegado o fim desta minha hedionda trilha!
Senhora das Sepulturas, liberte este ser errante ...
Peço, conduza-me ao sossego de vossa Cripta.

Ela chegou calada, travestida nas sombras
e estendeu-me a mão como uma velha amiga.
Adormeci eternamente em sua negra manta ...
extasiado com seu cheiro, tão doce na terra fria.

Itamar Felipe

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