Suicida
Fecho os olhos e sinto o roçar do vento,
um suave calafrio me percorre ...
a frieza do envolvente relento,
que amavelmente me acolhe.
Nestes momentos teu rosto me é estranho,
as lembranças apenas meras ilusões.
Mas lá no fundo ainda ouço um pranto,
meu coração ... que a ti entoa canções.
Tendo a noite por companheira, choro ...
me perco no desespero de teu desamor.
Triste, as estrelas me dão seu colo ...
no universo, eternizando minha dor.
Busco o brilho pálido da Morte
em cada veia que em mim sangra.
O porto do esquecimento em cada corte,
o barco de Caronte que a alma clama.
Alegremente acolho o Ceifeiro,
qual uma criança que volta para os pais.
No caixão de pedra me deleito
e te deixo, junto com a vida, para trás.

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