Navegando em Águas Mortas
Assobia no ar o frio vento de inverno,
o brilho das estrelas ofuscado por névoa perolada.
A dor me chega a carne de modo terno,
adentrar lento da lâmina de uma espada.
Um riacho escuro que segue seu curso
na desolação de suas águas mortas,
é assim meu coração, na noite recluso,
vaga confuso em sua trilha mórbida.
Afogo-me neste poço de aflição,
em seu fundo cavernoso, profundo.
Choro minha dor em sua negra solidão ...
um ser esquecido, renegado pelo mundo.
Perdido nas ondas tenras da melancolia,
minha´alma desata-se em lentas lágrimas.
Sangram os pulsos em tangível agonia ...
na pele marmórea ... a Morte Tácita.

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